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“Vicente Caropreso (PSDB) critica Escola Sem Partido e defende autonomia dos professores”

Encerrando a série de entrevistas com os parlamentares eleitos pela região, hoje a coluna traz as opiniões e expectativas do deputado estadual reeleito Vicente Caropreso. O tucano toma posse nesta sexta-feira, dia 1º de fevereiro.

Entre os primeiros compromissos na Assembleia Legislativa está o de escolher a nova Mesa Diretora. Pelo acordo firmado, o presidente da Casa será o deputado Julio Garcia (PSD).

Os cargos mais importantes foram indicados também pelo MDB e PSDB, o que será uma prova de fogo para o governo de Carlos Moisés (PSL).

A primeira sessão, com mensagem do governador, acontece na terça-feira, dia 5. Depois, entre as próximas batalhas estará a análise de vetos de Moisés, que podem ser derrubados ou mantidos na Alesc.

Na entrevista, Caropreso fala sobre as expectativas para Santa Catarina, prevê discussões ideológicas, sai em defesa da liberdade dos professores e das escolas e diz que é preciso ensinar os alunos a pensar sobre a ótica da pluralidade.

O jaraguaense também defende a necessidade de ajustes nas contas do Estado e a importância da democracia. Caropreso diz que a reforma da previdência deve incluir a todos, principalmente, os altos salários do setor público e os militares.

De fora da base de Moisés, o deputado adianta ainda que uma das condições para o apoio ao governo é o tratamento que será dispensado à região.

Confira a entrevista

Deputado, o senhor já tem experiência política. Dá para dizer que os tempos são outros? A eleição do ano passado conseguiu mudar de verdade a política?

Eu acho que, em parte, a política mudou. Não totalmente, porque a política tem como essência o relacionamento, o diálogo, e isso ninguém muda. É assim desde Roma quando foi instituído o Senado.

O que eu acho que pode ter mudado é a malignidade, vamos dizer assim, do excesso de cargos políticos, tinha mesmo que dar um fim nisso. Esse governo (Calos Moisés) está se direcionando para esse lado, mas não 100%. Temos visto indicações do PSL que não se diferenciam do que faziam o PSD, PMDB, os outros partidos.

Mas em parte algumas coisas estão mudando, temos a mensagem já inicial de fechamento das ADR´s, que era algo que era solicitado pela mídia, pela população e até pelo pensamento de alguns partidos.

A gente espera que isso tudo resulte em sobra de recursos para melhor aplicação em áreas cruciais como a saúde, a educação, a infraestrutura e segurança que são os pilares da administração pública.

Eu estou preocupado porque a população tem um limite de tolerância.

Até porque a aposta em Moisés foi bastante alta.

O grau de aprovação é muito alto. Foram mais de 70% dos votos, isso nunca aconteceu em eleição nenhuma para o governo do Estado, então a responsabilidade é grande em pessoas que estão adquirindo experiência dentro do poder.

Isso preocupa um pouco porque o Estado não pode ficar parado meses ou semanas em áreas cruciais à espera de experiência e de decisões acertadas.

Nós esperamos que essas decisões venham já com o respaldo do número de votos que eles receberam. É isso que a gente espera, vamos cobrar.

Logo após a posse os deputados escolhem a Mesa Diretora. A expectativa é de que Julio Garcia seja mesmo o presidente? O acordo firmado ainda em dezembro deixou o PSL, partido do governador Moisés, de fora da Mesa e das principais comissões. Isso deve se concretizar?

Ainda no ano passado, alguns deputados se reuniram e eu fui um dos primeiros que aderiu a essa possibilidade do Júlio Garcia ser presidente. Partimos para conversa com os partidos e depois que obtivemos um número com folga, 24 votos, a coisa ficou fácil e como consequência outros aderiram, inclusive, o MDB e o PSL.

É uma coisa da democracia, um grupo se reuniu para determinar as regras e é isso que está sendo colocado. É lógico que fica, a primeira vista, o PSL fora da Mesa Diretora. Eles têm apenas a quarta secretaria, ou seja, o cargo, vamos dizer assim, entre aspas, menos prestigiado da Mesa, mas eles estão representados.

O PSL também não vai comandar a presidência de nenhuma comissão de relevância, considerada estratégica. Eles não estão na presidência da Comissão Finanças, que é do PSDB, e nem da Comissão de Legislação, que será ocupada pelo MDB.

Entretanto, eu vejo que está sendo criado um grande cordão de apoio. Vamos apostar que vai dar certo e vamos ajudar.

Os vetos do governador também devem ser avaliados logo após o recesso e mostrar qual a base de apoio do governo nessa largada. Qual a sua expectativa?

O secretário da Casa Civil, Douglas Borba, que é daqui da região, já conversou comigo e também deve ter conversado com muitos outros deputados para fazer a viabilização do governo. A votação dos vetos é o primeiro desafio.

Tem um veto que realmente eu já vou dizer eu não posso votar com o governo que é o veto ao aumento do percentual da saúde. Eu não posso ajudar a manter esse veto porque fui um dos relatores do aumento de recursos para saúde.

E mesmo que consigamos derrubar o veto, nós vamos ter que entrar no entendimento para viabilização porque o governo já disse não ter dinheiro para 15% de investimento em saúde e sei que o setor custa 16% a 17% do orçamento.

Mesmo assim já vai fazer água porque tem que pagar coisa antiga, tem muita dívida para pagar, quase 1 bilhão de reais atrasados. Tempos difíceis vão esperar o governo.

O senhor já sabe se fará parte, presidirá, alguma comissão?

Eu queria muito presidir a saúde, mas o PSDB encolheu, nós caímos de quatro para dois deputados. Quero mesmo assim fazer parte da comissão, até como único médico da Casa.

Devo presidir a Comissão das Pessoas com Deficiência, uma comissão muito disputada e com muita visibilidade, pois coloca em xeque todo o esforço da classe política em relação à socialização das pessoas.

Vou me dedicar a esses debates, sou da área, fui 33 anos médico da Apae e com certeza essa experiência, sensibilidade que a gente tem como médico, também vai ajudar.

Também quero participar da Comissão de Educação, que promete grandes debates ideológicos, que devem ser travados no país também nos próximos meses.

Aproveitando o gancho, o que pensa em relação ao projeto Escola sem Partido?

Eu sou um amante do professor que transmite conteúdo do coração e da vivência dele. Para isso a gente vai na escola. Nós não vamos apenas para ouvir quanto que é dois mais dois.

Acho que a escola é o formador de caráter, depois da família, o local mais importante para criança e para os jovens edificarem sua personalidade, nós dependemos dos mestres.

E se nós taparmos a boca dos mestres, nós vamos estar comprometendo o nosso futuro. Então, nem tanto a Pedro e nem tanto a Paulo, nós não podemos botar um esparadrapo na boca de professor.

Portanto, eu não serei de jeito nenhum a favor de uma escola sem partido completamente. Eu sou pela defesa dos princípios da própria educação que prevê pluralidade de pensamentos. Assim que a gente vai saber do que é certo o que é errado no caminho da vida.

Seguindo essa linha, o senhor também é contrário à iniciativa da deputada Ana Caroline Campagnolo, eleita pelo PSL, que prevê o Disque Denúncia contra os professores?

Completamente contra. Eu não posso admitir que o pensamento de cada um seja motivo de algum tipo de constrangimento porque daí realmente tem que encerrar a educação e apenas colocar um chip na pessoa e mandar ela olhar para frente. Isso não vai ter nunca minha aprovação, nunca.

Em entrevista à coluna, o deputado federal eleito Fabio Schiochet falou na intenção do governo do Estado de devolver o trecho urbano da 280 à União. O senhor também acredita que é mais fácil a obra ser concretizada pelo governo federal?

Jaraguá tem uma oportunidade maior, com dois deputados federais, um do partido do presidente e o outro do MDB, que sempre foi com um pé aqui e outro lá. E a lógica é que o deputado Carlos, pela experiência que tem, também, e eu torço muito para isso, que ele tenha um papel importante no Congresso Nacional.

Se eles pensarem, analisarem bem esse pulo, quem sabe seja a saída porque dinheiro do Estado para obra, só vislumbrando o empréstimo do BNDS.

O projeto está pronto, aliás, a obra está licitada e foi parada por falta de recursos. Recursos esses que eram para terem sido deixados à disposição aqui da região e a gente soube que no mesmo tempo foram inauguradas e edificadas obras no sul do Estado.

Então realmente é um problema sério; se nós quisermos essa obra vamos ter que ter força política. Eu coloquei isso já também para o governador e para a vice-governadora, antes da posse, que se o governo quer nosso apoio terá que dar demonstração de prestígio para região.

As finanças de Santa Catarina preocupam. O comprometimento com a folha de pagamento e o descontrole com o crescimento do peso das aposentadorias foram dados apontados pelo Ipea no ano passado. O que acredita que o Estado deve fazer para conter essa conta?

Acho que tem que ter algo racional, um limite racional para as pessoas receberem do poder público em todos os níveis e em todos os poderes. Não pode ir para casa com mesmo salário e não pode ir para casa com penduricalho, isso é impossível no Brasil. Rever essas situações daria um bom refresco.

A reforma da previdência tem que ser baseada justamente na parte pública da previdência porque é ali onde ocorrem as maiores distorções, incluindo os militares. Acho que todos nós temos que sofrer. Todos devem entrar no mesmo barco. Eu pertenço a um país que não é um país de A, B, C ou D, tem que ser tudo do mesmo jeito, doa a quem doer.

O Brasil tem que ser consertado e tem que ser agora com esse índice incrível de popularidade que tem o governo federal e alguns governos estaduais que ganharam, a exemplo Santa Catarina, por larga margem. É hora de colocar em prova realmente a popularidade voltando matérias difíceis e enfrentando corporações para a gente vencer.

E quanto aos privilégios políticos deputado. O senhor tem alguma ideia do que pode mudar na Assembleia?

Qualquer um pode entrar com projeto de resolução cortando isso ou aquilo, vamos aguardar. Temos que considerar, porém, as prerrogativas dos deputados.

Porque sempre o Poder Legislativo, e ele é indiscutivelmente o mais fácil de avaliar porque em qualquer portal se sabe tudo sobre a atuação do parlamentar, o que fala, o que pensa, onde gastou, está tudo transparente, diferente de outros poderes.

O Judiciário, Ministério Público, Tribunal de Contas, que são órgãos que também têm altíssimos salários, tudo precisa ser discutido.

Eu fui procurado na última sessão do ano da Assembleia por um grupo de deputados querendo instituir a aposentadoria de deputados estaduais e eu fui taxativo dizendo que não, não queria nem perto de mim aquela discussão.

Nós temos que ter uma visão e um uma análise do que está acontecendo, seria realmente um descalabro criar aposentadoria para parlamentar, mas também não vamos deixar de ter as prerrogativas.

O Poder Legislativo tem que ter estrutura, possibilidade de fiscalizar e de promover realmente uma interação entre os poderes. Não podemos cortar totalmente as asas do Poder Legislativo, essa seria uma arma para uma ditadura.

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