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Amamentação também é uma questão social

Vicente Caropreso

Há pouco tempo comentei uma pesquisa que comprova os benefícios da amamentação para a saúde da mães e do bebê, pesquisando, inclusive pessoas já adultas. O aleitamento materno tem consequências positivas na economia, por proporcionar adultos mais saudáveis e também mais inteligentes. Também tem grandes reflexos na saúde pública: a amamentação é uma das mais eficientes e baratas formas de saúde preventiva.

Neste momento, na Semana da Amamentação (de 1º a 7 de agosto), temos de voltar ao tema para reforçar que este é um assunto que diz respeito a todos. Como se sabe, a criança deve ser amamentada pelo menos até os dois anos de idade. Durante os primeiros seis meses de vida, o leite materno deve ser o alimento exclusivo.

Família, instituições públicas e privadas e toda a sociedade têm se mobilizar para garantir isso. O Brasil, felizmente, conta com instrumentos legais que favoreceram a amamentação e já trouxeram resultados na saúde: a licença maternidade e a licença paternidade.

Estas duas leis podem dar exemplos da importância da conscientização de mães e pais, das famílias, do estado e das empresas para a questão.

Em primeiro lugar, é preciso que os quatro meses de licença da mãe e os cinco dias de licença do pai sejam bem aproveitados no cuidado ao bebê, com destaque para a amamentação. Nisso também entra a família e o poder público nos programas de orientação e apoio.

Mas são as empresas que podem dar uma contribuição ainda maior: aderirem ao Programa Empresa Cidadã. A participação dá direito aos pais aumentarem a licença para 20 dias. Para ter o benefício, o pai deve comprovar participação em programa ou atividade de orientação sobre paternidade responsável, comprovados por declaração do profissional de saúde informando a participação do pai no pré-natal, em atividades educativas durante a gestação ou visita à maternidade. Nessas empresa cidadãs, as mães ganham mais 60 dias para cuidarem de seus bebês, e passam a ter seis meses de licença-maternidade.

Outra contribuição dos empresários, que se estende aos gestores públicos, é a criação de salas de apoio à amamentação. Hoje, cerca de 140 mil trabalhadoras têm esse benefício, que deve crescer muito mais á medida que aumenta a consciência e a cobrança por responsabilidade social das empresas.

Como disse o representante da Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil, Joaquín Molina, “o leite materno é um recurso natural capaz de preservar e melhorar a saúde, combater a pobreza e as desigualdades, melhorar a produtividade no trabalho, empoderar as mulheres e proteger a biodiversidade”.

Amamentar, repito, é mais que um gesto de amor, salva vidas e ajuda a fazer um mundo melhor.

Vicente Caropreso, médico neurologista, e deputado estadual pelo PSDB

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